
É altura de vos explicar o porquê do meu estado de depressão de ontem e de outros dias que têm encontrado por aqui. Adiei contar isto aqui com medo que me identificassem ( pois não é uma situação comum) e também, confesso, por não querer tornar isto real. No entanto, já não lhe posso fugir mais nem negar mais nada, é a realidade que eu tenho de assumir e aceitar.
O que acontece é que o meu namorado, a pessoa em que eu mais confio, vai estudar medicina para o estrangeiro. Não, não é Erasmus, vai mesmo para lá tirar o curso porque sempre foi o sonho dele ser médico e aqui não tem possibilidades de o ser devido às médias exorbitantes. Fez uns exames, em inglês, para ser admitido lá e passou, por isso agora é certo, ele vai para lá. Não me interpretem mal, eu estou muito orgulhosa dele e quero que ele vá para lá, nem nunca na minha cabeça me ocorreu pedir que não vá, pois para além de ser o sonho dele, é um curso que tem boas saídas de emprego. Estou mesmo muito contente por ele, e ainda para mais sei que não vai estar sozinho porque tem lá já um amigo que vai para o 2º ano e que eu conheci à pouco tempo, sei que é uma pessoa porreira que lhe vai ajudar em tudo o que for necessário, dificuldades com a língua da região, com os estudos, etc.
No entanto, apesar disto tudo parecer óptimo para ele, eu não consigo deixar de me sentir horrivelmente mal e muito triste sempre que penso nisto. Estive praticamente desde que soube que ele ia mesmo embora ( depois de ser admitido) a dizer para mim própria "Não penses nisso, não fiques ansiosa já, quando vier a altura aí podes ficar triste". Pois bem, veio a altura. Daqui a menos de um mês ele parte para o país ( que não é Espanha, é bem mais longe) e eu fico aqui, longe dele por km. Sempre imaginei irmos os dois para a faculdade aqui, em Portugal, e até já fazíamos planos de nos encontrarmo-nos ao sábado e no domingo ficávamos com a família. Mas agora assim, ele só vem cá uma semana no Natal e cerca de 1 mês no Verão. Só o vou puder ver 2 vezes no ano e estou constantemente a perguntar-me se se consegue manter uma relação assim, por muito que as pessoas gostem um do outro. E não me venho cá falar de skyps e facebook porque segundo o amigo dele que está lá, ele só poderá ter tempo livre durante minutos, ele diz que lá tem de se marrar bem a toda a hora.
Eu acredito em relações à distância mas para mim isso era eu estar na faculdade em Coimbra e ele noutro sítio qualquer, mas em Portugal. Agora com uma distância de tantos km, já não sei.
O pior é que ainda não falamos bem da nossa situação, eu e ele, porque tanto eu como ele queremos aproveitar o tempo que estamos juntos para nos divertirmos e já sabemos que se tocamos no assunto vamos ficar triste ( e eu vou chorar). Mas o relógio não para e nós vamos ter de ter " a conversa"
*Desculpem o textão mas tinha de ser assim se realmente vos quisesse explicar tudo direitinho.*

